terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O efeito das cores sobre o organismo




O ser humano é influenciado por três aspectos fundamentais: físico, cognitivo e psíquico. A associação adequada desses fatores permite projetar ambientes seguros, confortáveis e eficientes. Dentro de um ambiente hospitalar, onde geralmente ocorrem privações sensoriais, principalmente em relação à agradabilidade visual, a estética torna-se um importante complemento ambiental e de satisfação.

Estudos indicam que a cor interfere no estado emocional, na produtividade e na qualidade das atividades desenvolvidas. A cromoterapia, segundo Amber (2000, p.13), é “a ciência que emprega as diferentes cores para alterar ou manter as vibrações do corpo naquela freqüência que resulta em saúde, bem-estar e harmonia”.

Para Boccanera et al. (2007), a cor é um fator importante no conforto do paciente e deve ser corretamente aplicada nas paredes, no piso, no teto, na mobília e demais acessórios, para tornar o ambiente hospitalar mais aconchegante para o paciente e funcionários. Lacy (2000) reforça essa idéia ao mencionar as melhores condições de trabalho dos profissionais que atuam em ambientes cromaticamente bem concebidos e dos efeitos psicológicos e organicamente positivos na recuperação dos pacientes.

A cor é a parte mais emotiva do processo visual. Seu potencial de expressar e reforçar a informação visual constitui uma poderosa força do ponto de vista sensorial. A cor carrega consigo significados universalmente compartilhados através da experiência, bem como significados que se lhe adicionam simbolicamente. Pode ser explorada para diversas finalidades funcionais, psicológicas, simbólicas, mercadológicas, cromoterápicas, entre outras (GOMES FILHO, 2000).

No tratamento e prevenção de doenças, o uso das cores fundamenta-se no fato de que os órgãos sensoriais têm grande influência na mente, sendo permeáveis ao ser humano de acordo com as informações que recebem (BOCCANERA et al., 2007). As variações sobre a retina afetam as atividades musculares, nervosas e mentais. A ação da cor é específica, e cada uma reage e atrai para o corpo uma corrente de energia vital extraída do próprio ambiente.

Em resumo, as sensações provocadas pela ação da luz sobre a visão quando se varia a quantidade, a intensidade, a forma e o posicionamento das áreas coloridas provocam diferentes respostas, muito particulares a cada indivíduo. A composição dos espaços deve ser pensada em razão, não só da sua funcionalidade, mas também levando em consideração as particularidades de seus usuários.

Diante do exposto, o objetivo deste estudo é avaliar o aspecto psicológico das pessoas que frequentam hospitais e/ou clínicas a fim de propor uma forma de amenizar a carga emocional com uma ambientação adequada através das cores.

Outros estudos:

Albert Szent-Györgyi, ganhador do prêmio Nobel, fez experiências cromáticas com alguns importantes resultados. Na sua pesquisa, expôs certas enzimas e hormônios a diferentes cores e verificou que algumas causavam mudanças moleculares nas enzimas e hormônios. (FROTA, s.d.)

Outro renomado estudioso do efeito das cores sobre a psiquê humana foi o poeta e cientista alemão Goethe, autor de Fausto (1806). Por 40 anos ele investigou as impressões que a cor produzia na parte psíquica do ser humano. Em suas observações constam que o vermelho agita, o azul dá serenidade, o amarelo gera alegria e o verde é relaxante, sensações que poderiam ser intensificados ou atenuados dependendo da tonalidade usada. (BATTISTELLA, 2003)

Algumas pesquisas mais atuais demonstraram que certas cores interferem na atividade metabólica de grupos de células de animais, melhoram a circulação do sangue, aceleram os processos metabólicos, ativam o processo regenerativo, estabilizam a membrana celular, normalizam arritmias cardíacas, ativam a função oxidante do sangue, e têm efeito imuno-modulativo e imuno-estabilizante no organismo. Enquanto o vermelho dilata os vasos sanguíneos, o azul os contrai. Pacientes ansiosos, por exemplo, necessitam do azul e do verde; já os deprimidos, se sentiriam melhor na presença da cor vermelha. (PEREZ e GOMEZ, 2001).

Walker (1995) cita ainda o exemplo dos animais, que assim como os humanos, apresentam sensibilidade às cores. O touro, o cachorro, o cavalo, o galo e algumas espécies de insetos são fortemente excitados pelo vermelho. Acrescenta que estábulos pintados de azul favorecem a engorda e a produção de leite dos animais

 

Os principais elementos de percepção das cores são: matiz, saturação e claridade; Matiz é a proporção de cada uma das cores percebidas: vermelho, amarelo, verde e azul; Claridade é o atributo segundo o qual uma área aparenta emitir mais ou menos luz; Saturação é a proporção de croma de uma cor em relação à sua claridade (mais ou menos cinza) (AZEVEDO, SANTOS E OLIVEIRA, s.d.).

As cores primárias da luz são o vermelho, o verde e o azul. As demais cores são obtidas aditivamente: magenta é o vermelho com azul; amarelo é vermelho com verde e o cian é azul com verde. As três cores primárias, juntas, formam a luz branca. Cores complementares são as que se anulam mutuamente, produzindo o branco. São contrastantes entre si e estão diametralmente opostas no círculo das cores.

 


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